Terapêutica Fotodinâmica e Anti-Angiogénica da Retina

A Terapêutica Fotodinâmica é um tipo de tratamento que, graças ao desenvolvimento de um fármaco fotossensível altamente selectivo, é usada em Oftalmologia, tendo o Instituto de Microcirurgia Ocular iniciado a sua prática logo que este tipo de tratamento foi aprovado pela Agência Europeia do Medicamento - Junho de 2000. De tal forma se revestiu de importância fundamental o desenvolvimento desta técnica que, ao principio activo utilizado para a sua execução (Verterporfina) foi em 2001 atribuído o "Prix Gallien 2001", considerado o Prémio Nobel do Medicamento.

A Terapêutica Fotodinâmica pode considerar-se como um procedimento minimamente invasivo, sendo realizada em ambulatório, consistindo na administração endovenosa de um fármaco fotossensibilizante (Verterporfina) com a sua subsequente activação por uma radiação laser com um comprimento de onda definido - laser de Diodo ( Não Térmico), com um comprimento de onda de 690 nm.

Tem a grande vantagem de o produto administrado se acumular electivamente nas estruturas anómalas (neo-vasos) dada a sua grande aptência para um tipo de receptores de uma forma particular de Lipoproteínas Plasmáticas (LDL), presentes em grande número nas estruturas neo-vasculares que se encontram em proliferação rápida. Ao ser activado pelo laser este fármaco dá origem à formação de formas químicas intermediárias, muito reactivas e que desencadeiam um mecanismo de destruição das estruturas neo-vasculares anómalas, não afectando as células e estruturas retinianas saudáveis.

A principal indicação para a Terapêutica Fotodinâmica são as situações clínicas que se acompanham de neo-vascularização sub-retiniana localizada sob a fóvea (zona nobre da retina responsável pela designada visão central, que permite realizar tarefas tão importantes como a leitura) e das quais se salienta a Degenerescência Macular Ligada à Idade (principal causa de cegueira acima dos 50 anos) e a Alta Miopia, bem com outras situações menos frequentes de origem Inflamatória, Traumática ou Degenerativa.

Após cada sessão de tratamento é aconselhável ao paciente permanecer na semi-obscuridade, devendo evitar a exposição directa à luz, pelo que só deverá sair de casa passadas 48 horas do tratamento.

Saliente-se que a Degenerescência Macular Ligada à Idade complicada de Neo-Vascularização Sub-Retiniana de localização sub-foveolar é responsável por 90% dos casos de cegueira e perda irreversível da visão central e para a qual o tratamento tradicional visava apenas travar o processso de proliferação neo-vascular através da fotocoagulação com laser térmico o que implicava a destruição das diferentes camadas da retina causando perda imediata e irreversível da visão central.


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Actualmente esta doença é tratada de forma mais específica e ainda menos lesiva para as células e estruturas retineanas saudáveis, através da administração, por injecção Intra-Vítrea, de medicamentos Anti-Angiogénicos. Estas injecções são realizadas em regime de ambulatório, sob anestesia tópica e, no Instituto de Microcirurgia Ocular, exclusivamente no Bloco Operatório.  Com estas novas terapêuticas para a Degenerescência Macular Ligada à Idade é possível não só preservar a acuidade visual mas, em muitos casos, obter alguma melhoria da visão, sobretudo quando detectada precocemente e o tratamento realizado de forma atempada.

Para além da Degenerescência Macular Ligada à Idade a terapêutica anti-angiogénica é ainda utilizada nas situações que se acompanham de Neo-Vascularização Sub-Retineana (já referidas,  como a Alta Miopia e Patologia Traumática ou Degenerativa) e algumas Doenças Vasculares da Retina, das quais se salientam, pela sua frequência a Retinopatia Diabética e as Oclusões Venosas.

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